Pano de Louça

Aguardou num quarto
com cheiro de inseticida.

Ao vê-lo despido,
sentiu um perfume raso,
lavanda que não lembrava flor,
mas pecado

A tomou.

Fez-se pano de limpar louças.

O mesmo da pia por lavar
ainda úmido de sabão ralo.

Ligeiro, disse adeus
evitando o espelho.

Ficou um instante a mais,
não por ele.

Com a decisão de quem nunca mais volta,
fechou a porta no trinco.

Desceu ao saguão,
pagou a conta.

Um intervalo.

Um deslocamento.

Foi para casa.
Ainda era noite.

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